sábado, 28 de maio de 2011

Sugestão: Um clássico entre os clássicos

Filme: Além da Linha Vermelha

Direção: Terrence Malick

Ano: 1998

Gênero: Guerra

Elenco: Sean Penn, Geoge Clooney, Nick Nolte, John Travolta

Trilha: Hans Zimmer

Prêmios: Indicado a 9 Oscars e vencedor do Urso de Ouro de Berlim

Bilheteria Total: $81,000,000


Antes de lançar o novo visual do site, já iniciaremos algumas novidades que faram parte da nossa programação semanal e mensal. Dentre elas, uma vez por semana daremos uma sugestão, um filme que deve ser alugado, emprestado ou até mesmo comprado. Ou quem sabe, jogar fora.

Para começar, inspirado no Festival de Cannes deste ano, a primeira sugestão é o clássico Além da Linha Vermelha(The Thin Red Line, 1998, EUA) do diretor Terrence Malick, tão prolixo, que em quatro décadas realizou cinco filmes. Com que ele não existe meio termo, se for para fazer, tem que ser direito, tem que ser marcante, tem que ser eterno. Formado em filosofia, seu talento como cineasta casou dois estilos de pensamentos que capaz de criar formas de arte impensáveis. É como se Nietzsche fosse um cineasta. Imagine o que teríamos nas telas?

Difícil classificar o gênero de suas obras. As histórias e a forma como as conta transcende a qualquer classificação. O mais provavél seria "Guerra", já que temos um enredo que se passa durante a Segunda Guerra, no meio do confronto entre americanos e japoneses, na linha de defesa da Batalha de Guadalcanal, baseado no livro de James Jones. Mas acredite, não é suficiente.

No geral o que vemos sobre guerras nas telas é um desserviço de entorpecimento diante da banalidade de vidas humanas desfalecendo a cada disparo. Terrence faz diferente. Para nos lembrar que ali existe uma vida, e por trás dela todo um mundo particular e único, cada ator em cena é conhecido, muitos deles famosos. É muito provável que se em toda sua vida você assistiu há apenas dez filmes, se assistir este, vai reconhecer no mínimo uns três ou quatro rostos. Não posso recitar todos, mas vai alguns nomes: Sean Penn, Adrien Brody, Jim Caviezel, Ben Chaplin, John Cusack, Woody Harrelson, Elias Koteas, Jared Leto, Dash Mihok, Tim Blake Nelson, Nick Nolte, John C. Reilly, Larry Romano, John Savage, John Travolta, Arie Verveen e George Clooney. Caso não se lembre de alguns deles, copie-os e cole no buscador de imagens do Google, tenho certeza que vai lembrar.

As gravações originais têm ao todo mais de cinco horas de gravação. É claro que após o trabalho de edição, que durou meses, o filme ficou muito menor, totalizando quase três horas. Azar o nosso, porque ainda poderíamos ver cenas com Martin Sheen, Viggo Mortensen e Mickey Rourke. Quem assina a trilha sonora é Hans Zimmer e John Powell.

Você deve estar pensando, “Meu Deus, quanto gastaram para fazer este filme com tantas estrelas?”. Pois é, não foi muito. Aqui, o que paga o filme é poder do nome de Malick. Diz a lenda que quando Sean Penn se encontrou com o diretor, apenas disse: “Pague-me um dólar e fale o que preciso fazer”. Após vinte anos sem filmar, quando os rumores de Malick faria outro filme vazaram, diversos atores foram procurá-lo, desejando fazer parte do filme. Ele literalmente teve que escolher quem o faria. Nomes como Jonnhy Depp, Tom Cruise, Edward Norton e Kevin Costner tentaram, mas não entraram.

A reputação do diretor e sua forma de trabalhar fizeram dele um mito. Mesmo após ter terminado as filmagens, alguns atores pediram para continuar o restante do trabalho das gravações apenas para vê-lo trabalhar.

Sua mente criativa e seu estilo filosófico aparecem nitidamente em seus títulos. Podemos ver diversas tomadas improváveis captando cenas belíssimas sem deixar de focar no tema principal. A forma de construir e apresentar seus personagens são imprevisíveis. Não há uma linha que conduz a narrativa. As coisas estão acontecendo e a câmara parece que tem apenas a função de engradá-las. Agora faça outra pesquisa: digite no google procurando pela sinopse do filme. Tenho certeza que terá dificuldades de conseguir alguma que resuma corretamente a história. Não quero me arriscar, apenas posso dizer que o filme é um recorte da guerra que aconteceu no pacífico durante a Segunda Guerra, dentro de um território que é o paraíso.

Ao ver o filme e todas àquelas desgraças, a sensação de raiva não recaí sobre o homem e sim sobre a vida. Por que ela é tão cruel? Já que ela não pode ser somente boa, porque não pode ser somente ruim? O que torna as coisas, por vezes, insuportáveis é justamente o fato de saber que poderiam ser melhores, de ter sentido ou vivido momentos melhores. Eis a crueldade que aperta o coração.

A guerra não enobrece o homem, não há lição para ser tirada ou amadurecimento. Há muita mentira e hipocrisia para ser contada. Antes erámos todos irmãos, agora lutamos uns contra os outros, nos boicotando mutuamente. Aonde foi que nos perdemos? Talvez os homens tenham uma enorme alma em que todos fazem parte. Não pense que por ser mais bondoso vai sofrer menos.

Recomendação: Compre

Um comentário:

  1. Sobre o filme eu não sei, mas a trilha com certeza é ótima...Hans Zimmer....

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