
O rock brasileiro já teve dias melhores. Nos anos 80, era o representante da cultura brasileira, encantando gerações e fazendo revoluções. Protagonista deste cenário, a banda RPM deixou muitos órfãos, e após brigas e separações, estão de volta.
Na última sexta, em São Paulo, a banda fez o primeiro show da turnê "Elektra", mesmo nome do álbum de inéditas lançado aos poucos na internet, através site oficial da banda. Apesar de tanto tempo, os fãs continuam fiéis. Na sexta, ingressos esgotados.
Na abertura, de cara uma música inédita, “Muito Tudo”, com uma letra voraz, criticando nossos tempos de “muita informação e pouco conteúdo”, bem ao verdadeiro estilo RPM. Em seguida, o novo hit “Dois Olhos Verdes”, primeiro lugar em diversas rádios do país, com refrão um tanto pegajoso(na saída, dava pra ouvir as pessoas cantando). Ali já dava pra perceber que a banda se atualizou, cantando ao estilo de bandas da nova geração do rock como “The Killers”, sem também perder sua essência. Agradou a todos, velhos e novos.
A verdade é que o público estava ali para ouvir os clássicos. E na quarta música a banda tocou “Louras Geladas”. Aí a coisa mudou de figura, todos começaram a se mexer e cantar junto com Paulo Ricardo.
Após uma sequência de músicas tidas como “lado B”, a poeira baixou e começaram as românticas. Estranho, parecia que até ali os músicos estavam nervosos, não conseguiam se soltar. Não era o RPM que todos conheciam. Mas, com as românticas, a coisa muda de figura, desta vez no palco, e eles se soltam. O público vai ao delírio, principalmente as mulheres, com “A Cruz e a Espada” e depois “London, London”.
O show fica empolgante, e as músicas agitadas retornam com “Revoluções por Minuto”, seguida de “Alvorada Voraz”, ponto alto da noite. Mas foi mesmo “Rádio Pirata” que fez todos ficaram em pé, pedindo e cantando em uníssono pela revolução. Bons tempos. Para encerrar, não podia faltar, “Olhar 43”.
Com o repertório tradicional esgotado, a banda volta para o bis executando outra música nova, “Crepúsculo” e novamente “Dois Olhos Verdes”. Tudo bem que é música de trabalho, mas uma banda do calibre do RPM não precisava tocar duas vezes a mesma música no mesmo show, a menos que o público pedisse, como nos velhos tempos, o que não foi o caso.
O retorno da banda é muito bem-vindo ao rock nacional, carente de uma voz para representar a juventude. Mesmo após tanto tempo, a banda mantém suas características principais: romantismo político, originalidade e atitude. Em termos técnicos, os músicos estão cada vez melhores, principalmente a guitarra de Deluqui e os teclados de Schiavon. E sim, Paulo Ricardo, beirando os 50, ainda é um galã.
Avaliação: Bom
Também fui ao show, adorei, fazia tempo que não os via.
ResponderExcluirConheci o RPM em 1985. Era uma coisa absurda. Era um verdadeiro rock. Hoje não é o mesmo, mas está bom assim...