Este artigo foi publicado no Jornal de Jundiaí a respeito do evento realizado no dia 28/04. Quem escreveu foi o professor José Renato Polli, uma pessoa que tenho profunda admiração.
No último dia 28, participei de um debate sobre o filme “As melhores coisas do mundo”, no anfiteatro do Centro Universitário Padre Anchieta. O evento faz parte de uma parceria entre a universidade e a produtora cultural Brazucah, que tem como agente de exibição o aluno do curso de economia, Thiago Rodrigues Miota. Uma iniciativa importante, já que a instituição disponibiliza o espaço para a comunidade, favorece a aprendizagem a partir da cultura e congrega pessoas em torno da discussão de ideias. Thiago conduziu muito bem o trabalho, articulando alunos de vários cursos, professores e responsáveis, numa iniciativa inédita.
Há projetos em outras instituições de ensino de São Paulo, que procuram providenciar situações de conhecimento a partir de debates sobre obras cinematográficas. É o caso da atividade desenvolvida por professores do Centro Universitário Assunção, que atualmente promovem o ciclo “Cinema e revolução”, uma proposta temática no campo da história, que tem como objetivo discutir a revolução francesa a partir de filmes consagrados que tratam sobre o assunto.
No caso de Jundiaí, o propósito é promover a exibição de filmes nacionais no espaço da universidade, congregando alunos, professores e qualquer pessoa interessada. O primeiro lance desse projeto foi o filme de Laís Bodanzky, com roteiro de Luiz Bolognezi. A história se baseia na série de livros “Mano”, de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto e já recebeu alguns prêmios. Questões do mundo adolescente, como namoro, conflitos com o mundo adulto, separação dos pais, bullying, homossexualismo, sexualidade, suicídio, enfim, as angústias e temores dessa fase da vida. Um aspecto bacana também é o destaque dado à influência dos professores críticos e sonhadores na vida dos alunos.
De uma beleza poética indiscutível, a trama é costurada pelos encantos das habilidades dos dois irmãos (Hermano e Pedro), vividos por Francisco Miguez e Fiuk, respectivamente. Um escreve poemas em um blog e outro sonha tocar a música “something” para alguém especial, que ele nem percebe quem é inicialmente. O filme fica ainda mais bonito com a excelente atuação de Denise Fraga. Outro detalhe importante é que os atores adolescentes são iniciantes no cinema.
Ao longo do nosso debate, questões relativas aos temas da ética, do sentido da vida (sua beleza ou não), da convivência no ambiente escolar, foram propostas por vários alunos. Durante toda a exibição, percebi o grande interesse da platéia e como, afinal, uma atividade tão simples, pode proporcionar situações de grande riqueza de aprendizagem.
José Renato Polli. Doutor em Educação (FEUSP). Professor universitário e Diretor do Colégio Paulo Freire. Blog: http://renatopolli.zip.net.
Artigo publicado originalmente no Jornal de Jundiaí.
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