
David Norris é um político jovem e carismático, candidato ao senado pela cidade de Nova York. Sua carreira meteórica se justifica nos discursos que inflamam multidões. Parece ter nascido para aquilo. Tudo vai bem, até que na véspera da eleição a imprensa local publica uma matéria revelando segredos suficientes para lhe fazer perder os votos e a confiança do eleitorado. Ele perde. Pouco antes de fazer o discurso da derrota, inesperadamente conhece uma mulher que mexe profundamente com suas emoções. Após isso ele muda o discurso, e o discurso muda sua vida. Destino?
Estamos acostumados a ver no cinema histórias de amor envolvendo personagens que são destinados um para o outro. Em Agentes do Destino(The Adjustment Bureau, 2011, EUA) ocorre o oposto, aqui ele conspira contra eles. O filme é baseado na obra do escritor Philip K. Dick, insigne por obras de ficção como o clássico “Blade Runner”, longa considerado por muitos o melhor do gênero. Quem arrisca adaptar a trama para as telas é o estreante diretor George Nolfi, antes conhecido por seu trabalho como roteirista da franquia Bourne. A partir daí não é preciso explicar porque Matt Damon está no filme e faz o papel do político Norris.
Após o discurso, Norris segue sua vida, mas o acaso (ou o destino?) se encarrega de colocá-lo novamente diante de Elise(Emily Blunt), que antes de partir lhe entrega seu telefone. Contudo, ao chegar numa reunião, misteriosamente é surpreendido por homens usando chapéus e vestindo preto, que saem e entram de uma forma estranha pelas portas, multiplicando-se e movendo-se de forma mística. “Quem são vocês?”, pergunta Norris, e o personagem de John Slaterry da série Mad Men(aliás, melhor série do momento), inspirador, responde: “Somos aqueles que fazem as coisas saírem como planejado”. Eis os agentes do destino. Richardson lhe explica que existem planos para sua vida e Elise infelizmente faria com que ele os mudasse. Quando a vê, novas possibilidades se abrem. Ou seja, ele não pode ficar com ela e o destino não vai permitir. “Esqueça-se dela, siga sua vida”, diz Richardson. O cartão contendo o telefone é queimado. Não por acaso a história acontece em Nova York. Como achar alguém em meio a mais de 10 milhões de pessoas? Dadas as possibilidades , as chances são remotas. Mas ele não desiste, mesmo após anos. A partir daí, a ficção se torna um romance, e Norris precisa driblar o destino para ficar com sua amada.
Como seria sua vida se ele não a conhecesse? Até que ponto uma pessoa pode mudar a vida de outra? Se sim, será para melhor ou pior? É justo trocar os sonhos de alguém? Não importa, o que importa é que aconteceu.
A ideia de que existe uma ordem natural pré-estabelecida no universo chamada destino é contada desde a civilização grega para explicar o absurdo,. A vida se sustenta porque possui um propósito. Somos peças de um jogo escrito há muito por alguém superior a nossa existência humana. O livre-arbítrio é apenas relativo e aparente. Quando determinadas coisas acontecem ficados intrigados. O café que cai na roupa e nos faz perder aquele ônibus. A mensagem que enviamos e não chega. O acidente que paralisa o trânsito e nos impede de chegar. O que são essas coisas? Coincidências? Acaso? O filme sugere que são obras do destino. Pequenos momentos transformando grandes acontecimentos. Não é preciso mudar a mente de alguém para fazer algo, basta fazer alguns ajustes.
Houve um tempo em que as pessoas não tinham perspectivas, nasciam e morriam tendo em mente que a vida que levavam estava nas mãos de um ser superior. Não podiam mudar nada, como se a vida de hoje fosse um preparo para a de amanhã. Os anos passaram, o homem encontrou a liberdade. Agora o poder está em suas mãos. No entanto, nossa conquista causou mais estragos do que benefícios. Será que precisamos de alguém para controlar nosso destino?
Passamos a vida ignorando determinados acontecimentos para depois descobrir que não há como fazer isso. Nos apegamos a medíocres coincidências que apenas nos fazem enxergar o que queremos. Se existe o destino(pois eu acho que não existe), será que somos capazes de mudá-lo? E se tudo não passar de um teste? O mundo precisa de pessoas que mudem a ordem natural das coisas, seja qual for a definição que você dê a isso. Quem não lutar, que siga obedientemente a rota traçada. Bela metáfora.
A história é muito melhor do que o próprio filme. Precisaríamos mais do que isso? A decisão de ver ou não este filme é importante, pode mudar o que o destino planejou para você.
Avaliação: Bom
Philip Dick também escreveu a história do "Vingador do Futuro" e "Minority Report". Este filme certamente promete.
ResponderExcluirGostei das reflexões, quero mudar meu destino.