
Quando a lei sucumbe ao poderio de um bom advogado é sinal de que há algo errado com a justiça. Ganha quem pode pagar, perde quem é pobre. Se antes a justiça tardava, hoje ela nem chega. A frustação de ver a impunidade é frequente e muitos se perguntam se ainda há justiça.
Muito provavelmente por causa da quantidade absurda de advogados em seu país (por lá, aparentemente, as coisas costumam se resolver, mesmo que seja preciso a pena de morte em alguns estados), os americanos adoram histórias envolvendo conspirações no tribunal. Existe uma gama de livros e filmes sobre o tema. O mais recente deles, o filme, também baseado num livro, O Poder e a Lei(The Lincoln Lawyer, 2011, Estados Unidos) conta a história do advogado Mick Haller, interpretado pelo charmoso Matthew McConaughey. Mais negociador do que defensor, Haller conhece como poucos o funcionamento do sistema. Para ele, não basta saber a lei para ser um bom advogado, é preciso manipular as pessoas, e isso não exclui seus próprios clientes.
Porém, as coisas mudam quando ele consegue o caso de um cliente milionário, jovem e playboy. Excitado com ideia de ganhar dinheiro fácil, Haller dá as cartas mandando em gente que não costuma ser mandada. Mas, quando ele percebe que as cartas estão marcadas e que talvez ele seja o manipulado, é tarde. Agora ele está dentro de um jogo em que é preciso defender seu próprio inimigo.
O Brasil é o terceiro maior país do mundo em números de advogados por habitante, cerca de um para 322, segundo a OAB. Antigamente símbolo de status, a profissão virou sinônimo de parasitismo, sem compromisso com justiça, antes com o dinheiro. Por vezes injusto, tal pensamento se renova a cada escândalo.
A ideia que o filme explora vai além. Se existe um principio de inocência em que todos têm a oportunidade de defesa, como saber se seu cliente não é culpado? Não basta ter suas próprias convicções. Mesmo que seja inocente, se os fatos provam o contrário, não há o que fazer. A justiça não é sobre a verdade, mas sobre quem pode provar sua inocência.
Além de McConaughey, o longa conta com um elenco muito conhecido de atores que não são astros, mas que frequentam as telas exclusivamente por seu talento, casos como de William H. Macy e Bob Gunton. Entretanto, apesar do bom argumento, a trama é por vezes fantasiosa e os entraves, muito bem criados, são resolvidos de forma superficial, algo que compromete.
Há pessoas que acreditam que o mundo teria menos problemas se houvesse menos advogados. Talvez, se as pessoas conhecessem melhor as leis. Ou, se as leis fossem outras.
Avaliação: Regular
Eu não gosto de advogados, acho todos um bando de mercenários.
ResponderExcluirMas eu adoro o McConaughey, que inveja da brasileira casada com ele...kkkk
Vou ver,
Bjo