por Thiago Miota
Apesar de estar um tanto fora de moda, o casamento talvez ainda seja a decisão mais importante na vida de alguém. As juras de amor não são para alguns meses, mas por toda a vida, independente dos mecanismos legais disponíveis para anular este voto. Ninguém casa pensando que vai dar errado. Pelo menos é assim que deveria ser.
Este é o impasse vivido por Tom(Josh Duhamel) em O Casamento do Meu Ex(The Romantics, 2010, EUA). Mesmo prestes a se casar, ainda está dividido entre duas mulheres. Uma delas, Lila(Anna Paquin), sua noiva, aparentemente é a escolha perfeita: linda de morrer, além de rica também tem como virtude ser responsável a ponto de controlar as loucuras dele, ou seja, a garota da vitrine que todos querem comprar, mas somente alguns sortudos podem bancar. Já Laura(Katie Holmes), sua ex-namorada, mesmo não sendo perfeita em seus atributos de beleza, é a pessoa que o inspira, alguém com que ele sabe dividir e expressar seus sentimentos, alguém que consegue extrair o melhor de suas alucinações. O dilema seria uma espécie de decisão entre a melhor escolha e a escolha certa.
Tudo se passa no dia antes do casamento, com todos preparativos, a chegada dos convidados, os melhores amigos dos noivos. Apesar da festa, há um clima estranho no ar, que todos percebem, mas tentam ignorar resgatando lembranças, fazendo piadas, procurando transformar aquele momento em algo inesquecível. Não basta.
Em vários aspectos, o filme é fraco e deixa a desejar, começando pela montagem e edição. Por vezes somos colocados diante de cenas desnecessárias sem relevância para o enredo e muito menos para o entretenimento. O longa, que já é curto, poderia ter menos de uma hora que ainda assim teríamos momentos de tédio. Mas o pior defeito é o desempenho dos atores, em especial aqueles que fazem os amigos dos noivos. A ideia seria representar uma cena nostálgica num instante de transição na vida do amigo onde aparecem todas as lembranças de momentos marcantes que tiveram, mas que agora iria mudar, ou seja, era a parte onde entrava a emoção. Contudo, o que vemos, através dos atores, é apenas um bando de desconhecidos fazendo farra, totalmente sem inspiração.
A parte boa fica por conta do dialogo entre Laura e Tom, ponto alto do roteiro, onde aparecem citações literárias e boas discussões. Ali dá pra perceber que na verdade ele sabe o que tem que ser feito, sabe quem realmente ama.
Enfim, o que temos é nada mais do que o retrato da covardia de uma pessoa incapaz de tomar a decisão certa, para própria vida e de outras. Quem sofre mais não é o preterido e sim o escolhido. Parece absurdo, mas acreditem em mim, ainda existem histórias assim. Os opostos se atraem para depois morrer de tédio. Melhor morrer de emoção.
Avaliação: Ruim
Artigo publico originalmente em http://capitaldaarte.com
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