quinta-feira, 14 de abril de 2011

Música, um mero detalhe

Talvez o show tenha sido o melhor da vida de muitos dos presentes. A verdade é que a banda fez muito barulho numa apresentação para os olhos ver, deixando os ouvidos em segundo plano, algo não necessariamente ruim


Na última quarta-feira, 13 de abril, entraria no palco do Morumbi em São Paulo o melhor conjunto musical da atualidade, talvez um dos maiores que já existiu. Pelo menos essa era sensação dos fãs antes de começar o espetáculo da banda irlandesa de rock U2, liderada pelo astro pop e líder político Bono Vox.

O clima no estádio era tranquilo, nada parecido com o de qualquer outra apresentação do gênero, onde estamos acostumados a ver um público predominantemente jovem, camisetas pretas e longos cabelos nas costas. O que se via no estádio era um clima de paz, famílias de três gerações em perfeita harmonia.

Na abertura, apresentação da banda Muse, de enorme sucesso nos EUA, porém não muito conhecida por aqui, salvo pela música tema do filme Crespúsculo. Quem foi ao show sem se preocupar com eles ganhou uma agradável surpresa. Num rock a estilo ala Radiohead, a banda mostrou que pode num futuro não muito distante voltar e fazer sua própria apresentação no estádio.

Chegada a hora do show, era nítida a ansiedade das quase 90.000 pessoas no estádio. O monstruoso palco só podia gerar a maior das expectativas. O atraso aconteceu, mas foi pequeno. A entrada tranquila de cada integrante enlouqueceu o estádio que foi abaixo logo na primeira música “Even Better Than The Real Thing” do álbum Acthung Baby, que além desta, teve mais duas músicas. Em seguida a banda emendou duas músicas último álbum “No Line in the Horizon”, que apesar de serem boas, não foram acompanhadas em coro. Pode-se dizer que o show começou mesmo com o sucesso “Elevation”, para depois abrir os clássicos “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e “Pride (In The Name Of Love)” cantados belamente pelo público num dos melhores momentos do show.

Uma pausa para um convidado especial, diferente dos dois primeiros dias de show do fim de semana. Sobe ao palco Seu Jorge com um “Boa noite Brasil”, para em seguida, com seu violão, cantar com Bono aos seus pés, literalmente, “The Model”.

O carisma do vocalista é impressionante, que arrisca algumas palavras em português, mas que na maior parte do tempo é auxiliado por uma legenda meia-boca ao longo dos longos discursos no telão acima do palco. Nada disso incomoda aos fãs. Além disto, a performance dos demais integrantes foi impecável.

No entanto, nem tudo foi perfeito no show. Fora o monstruoso palco que exibia uma particularidade em cada música numa pirotecnia exuberante, as mensagens políticas cansaram um pouco. Para quem é fã da música “One” e gosta de ouvir e pensar naquela pessoa teve a imaginação roubada pelas homenagens e discursos da ONG do vocalista, de mesmo nome da canção. Aliás, antes do show, diversos jovens foram espalhados pelo estádio a fim de conseguir novos membros pela causa. Foi assim com “Sunday Blood Sunday”, para os países em ditadura como a Líbia, “Beautiful Day” que antes teve um poema lido por uma moça que subiu ao palco vindo da plateia, “Walk On” em homenagem a Suu Kyi e “Miss Sarajevo”, que Bono arriscou uma de Pavarotti, algo que nos fez sentir saudades do tenor.

A banda encerrou o show e voltou por duas vezes. Na última, finalmente o que todos aguardavam ansiosamente, “With Or Without You”, momento que os casais eternizaram se abraçando ou ligando para quem não pôde estar lá. Com certeza este foi o ponto alto do show, viu-se muita gente aos prantos de emoção. Por fim, para encerrar de vez, a bela música “Moment Of Surrender”.

Talvez o show tenha sido o melhor da vida de muitos dos presentes. A verdade é que a banda fez muito barulho numa apresentação para os olhos ver, deixando os ouvidos em segundo plano, algo não necessariamente ruim. A banda por si mesma carrega um peso enorme de superação em cada apresentação, algo que mais atrapalha do que ajuda. Os fãs não se importam, estão num sonho e a banda sabe fazer isso muito bem. Para quem não pode ir, fica o arrependimento e a torcida para que a banda volte o quanto antes. Se o show será melhor que este, o histórico da banda mostra que a cada tour os irlandeses vão provando para cada vez mais pessoas que talvez sejam mesmo o melhor conjunto musical da atualidade.

Avaliação: Bom

5 comentários:

  1. Eh cara parece que foi um showzao mesmo..
    mas...
    Sua avaliação eh : Bom????? soh bom?? ^^
    tbm achei a materia muito boa!!!

    Danilo

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  2. Nossa muuuuito bom....

    Parabéns!!!!

    Mariana

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  3. A banda realmente peca nos discursos políticos rasos como o esquerdismo.

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  4. Eu não esperaria outro tipo de postura vinda do U2, apesar de ser uma ótima banda, sempre foram conhecidos por serem "engajados" em causas duvidosas. Os discursos políticos cansam, são redundantes e politicamente corretos. O fato de terem ficado por horas conversando com a Dilma sobre direitos humanos, coisa que provavelmente ela desconheça, já é por si ridículo.

    Mas apesar de tudo, eu iria no show. Vale pelo espetáculo musical, que é muito bom.

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