sábado, 30 de abril de 2011

Como escolher um bom filme?

Não é nenhuma receita mágica. Escolher um bom filme é uma arte e demanda tempo para dominá-la.

Sábado à noite, você em casa sem fazer nada. Que tal ver um filme? Locadora. Chegando lá, uma imensidão deles a sua disposição. Caso tenha sorte, sua locadora é daquelas que separa os lançamentos dos recentes, e os recentes dos mais antigos, respeitando os gêneros. Claro, como quase 90% das pessoas, você vai direto para as novidades, não quer ver coisa velha. Fica em dúvida entre aquele filme que tem aquela atriz bonita que você deve ter visto em algum título ou entre aquela obra que pelo nome promete muita ação e suspense. Resolve escolher a segunda opção, afinal, não vai alugar algum filme por causa de coisas fúteis não é mesmo? Acertou? Nem de perto.

Quantas vezes você alugou um dvd, que passados alguns minutos, dá vontade de devolver sem pagar para locadora? E quantas vezes você foi embora ao meio de uma sessão de cinema cheio de cólera por sentir-se engodado pela trama? Pois é, isso é muito comum. No entanto, na maioria dos casos, a culpa é só sua.

Sendo assim, qual o segredo para escolher um bom filme? Bem, o que vou lhe dizer neste artigo, não é nenhuma receita mágica. Escolher um bom filme é uma arte e demanda tempo para dominá-la.

Para começar, é preciso definir seu próprio gosto. Qual tipo de filme você gosta? Existem pessoas que não se importam com isso, basta apenas uma boa história com atuações convincentes. Porém, se você é daqueles que só gosta de comédias ou suspenses, procure não arriscar. Deixe que outras pessoas mais entendidas lhe indiquem qual deles deve ser iniciado em outro gênero.

Após isso, é preciso cultivar um hábito. Sempre que for ver qualquer filme, memorize as seguintes pessoas: diretor e roteirista. São fundamentais. Mesmo que o Clive Owen esteja na filme, se o diretor e o roteirista não forem bons, ele também provavelmente não será bom, independentemente da grana que foi gasta para realizá-lo. O roteiro nada mais é do que a história, e se ele não souber contar a história com bons diálogos, tudo perde o sentido e o ator ficará seriamente limitado. Já o diretor, é quem vai dar a visão da história, qual o enfoque da câmera. Isso faz toda diferença. Esqueça os nomes, geralmente exagerados quando traduzidos em nossa língua (o clássico “Vertigo” é traduzido como “Um Corpo Que Cai”, nome que além de exagerado entrega o final) e não confie demais na sinopse, é ali que eles vendem o peixe, sempre o melhor da feira.

Quando este hábito for adquirido, ao escolher algum título, a primeira informação que deve ser vista é essa: quem é o diretor? Caso não o conheça, antes de ir ao cinema, pesquise sobre, veja quais são seus trabalhos anteriores. Os bons diretores são aqueles que têm um estilo. Portanto, se o filme for daquele diretor, você saberá basicamente como ele será. Por exemplo, não vá assistir a um trabalho de Quentin Tarantino e depois reclamar da violência, seria ridículo.

Mentalizar os atores também é importante. Por exemplo, dificilmente Leonardo Di Caprio faz algum longa-metragem ruim. É um ator que sabe escolher seus projetos e não se preocupa com dinheiro, apesar de receber hoje um dos maiores cachês de Hollywood. Mas isso não é ciência exata. Outro exemplo: Robert De Niro é uma lenda viva do cinema, atuou em obras maravilhosas, porém, os últimos anos mostram que é preciso ter cuidado ao escolher assistí-lo. Sean Penn talvez seja o melhor ator vivo na atualidade, mas cuidado, invariavelmente seus projetos tem uma temática política, ou seja, se você não gosta, não arrisque.

Com o tempo você vai somando critérios. Ao escolher o que assistir, soma-se e subtrai. Tem este diretor que gostei do filme “x”, mas tem este ator que não gostei nos demais. A história parece promissora, mas não costumo ver este tipo de obra. Talvez seja melhor pegar este que tem o diretor que fez o título “y” com aquele ator que trabalhou no longa “z”. Já vi outras histórias deste roteirista e fiquei sabendo que para fazer o filme eles ficaram tanto tempo naquela região. Vou alugar este.

O ideal é sempre saber mais sobre o que vai ver e por isso que as críticas são importantes. Contudo, só a opinião do crítico não basta, é importante você utilizar seus critérios. Mesmo que alguém fale mal do filme que pretende ver, se ele estiver dentro de seus critérios, dificilmente vai se enganar. O contrário também é verdade.

Há filmes que são pra entreter, como "X-Men" ou "Thor". Não espere nada além disto, mas se vier, melhor. Também há aqueles feitos para pensar e não espere se divertir demais com eles, mas caso aconteça, melhor. O bom filme é aquele une tudo isso e não há formulas, o que há são artistas. É com eles que você deve se preocupar. Se fizer isso, dificilmente vai errar.

domingo, 24 de abril de 2011

O Brasil na visão de um brasileiro

É muito fácil se divertir com o filme. Boas risadas e momentos de pura aventura estão garantidos.

Carlos Saldanha é hoje o brasileiro mais bem-sucedido da indústria cinematográfica no quesito números de bilheteria. Por aqui, ele não é tão conhecido como Fernando Meirelles ou José Padilha, mas no mercado americano adquiriu o raro status de diretor que consegue financiar o projeto que quiser. E é exatamente por este motivo que ele conseguiu lançar seu mais recente filme de animação intitulado Rio(Rio, 2011, EUA).

Em cartaz nos cinemas nacionais há algumas semanas, o filme conta a história do Blu, uma rara arara cor azul que viaja de Minessota até o Rio de Janeiro para procriar com a última ave de sua espécie. Completamente domesticado, Blu que sequer sabe voar, encontra dificuldades para se aproximar de sua paquera de nome Jade. A história é centrada neste choque de culturas tendo a cidade maravilhosa como pano de fundo por todo o filme, o que a torna mais protagonista até que os próprios personagens.

Quando estrangeiros fazem um filme que fala sobre o Brasil, invariavelmente os brasileiros ficam decepcionados com a maneira que se veem retratados na tela. No geral, somos definidos basicamente por três fatores: carnaval, futebol e bundas. Um exemplo disto é o próximo filme da franquia Velozes e Furiosos, que assim como nos filmes de horror, assina contrato para sua sexta sequência.

Sendo assim, quando um brasileiro dirige um filme sobre o Brasil, é de se esperar que essa injustiça possa ser desfeita. Em Rio, com Saldanha, felizmente, isso acontece em partes. No filme o Brasil também tem aqueles três ingredientes básicos, mas por outro lado, acrescenta outros que deixam a história deslumbrante, uma linda homenagem. Declaradamente apaixonado pelo Rio de Janeiro, Saldanha faz um retrato fiel da cidade evidenciando o que ela tem de pior como o crime, a violência, a pobreza e a malandragem sem deixar, porém, de apresentar suas melhores qualidades como as cores, a maneira de viver, a música, toda diversidade e o mar com aqueles belos cenários, uma verdadeira mistura de fatores que a torna tão especial, algo que os próprios brasileiros, acostumados, por vezes esquecem.

O roteiro é muito bem escrito, os personagens desenvolvem belamente seu papel e o contexto não distorce em nada a realidade. A trilha sonora, praticamente só brasileira conta com nomes de peso como Sérgio Mendes e Will.I.Am. É muito fácil se divertir com o filme. Boas risadas e momentos de pura aventura estão garantidos.

Que fique bem claro que não se trata de um filme brasileiro, mas sim de um filme estrangeiro dirigido por um brasileiro. Embora a visão deste brasileiro sobre o Brasil não seja, essencialmente, diferente das demais, o que faz o filme ser diferente é o justamente o jeito brasileiro de contar à história. Muitos podem se irritar com essa ideia, mas o que vemos na tela nada mais é do que a realidade. Não fosse desta maneira, não seria o Rio, não seria o Brasil.

Avaliação: Bom

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=Ec6edKh2plg

domingo, 17 de abril de 2011

Tirando proveito das datas comemorativas

Não se surpreenda se nas próximas Páscoas, a tradição de não comer carne acrescente o filme do coelhinho


Existem determinados filmes em Hollywood que funcionam como uma espécie de subgênero, lançados em datas estrategicamente comerciais como o Natal. São teoricamente precisos, já que não precisam de muito esforço para serem divulgados, basta o ensejo. Entretanto, a julgar pelo conteúdo, a maioria repete a mesma história. Pois agora a maior indústria de cinema resolveu testar mais uma data: a páscoa.

Estréia nesta quarta-feira Hop – Rebeldes sem Páscoa (Hop, 2011, EUA), um filme que se pretende fofo as crianças e instrutivo para os pais. Realizado numa mistura de animação live-action, o filme conta a história dos coelhos da Páscoa, que vivem numa terra distante cuidando dos nossos queridos ovos de chocolate. E diferente do que todos pensam, eles não botam os ovos, eles os fabricam. Junior, que seria o herdeiro natural, não quer saber de suceder o pai no trabalho, apenas de seguir seu sonho de tocar numa banda de rock. E após uma discussão com o velho, foge do mundo dos coelhos e vai para o mundo dos homens.

Do outro lado da história, Fred, interpretado por James Marsden(o Cyclope de X-men), também se encontra numa situação parecida com a de Junior, que pressionado pelo pai a conseguir um emprego, sai de casa. O caminho dos dois se cruza, quando Fred quase atropela o pobre coelhinho. E daí começa uma série de clichês que já conhecemos. Os dois se assustam, os dois se odeiam, passam a páscoa longe da família, tem uma aventura juntos e depois se tornam inseparáveis. É a velha história do conflito entre os filhos que não escutam os pais e dos pais que não compreendem os filhos, mas que no fim tudo se resolve.

O argumento do filme é fraco, o que surpreende o desempenho nas bilheterias americanas, sendo o filme que teve a melhor abertura do ano faturando 38 milhões de dólares somente no primeiro final de semana. Nada mal para um filme que custou aproximadamente 63 milhões de dólares.

O diretor do filme, Tim Hill, fez outros trabalhos de animação como “Alvin e os Esquilos” e “Garfield 2”, sem também encantar. Hop decepciona justamente por ser lançado na época em que os filmes de animação mais crescem, tanto por sua qualidade, cada vez mais impressionantes, como também pela capacidade de criar grandes histórias. No entanto, a Pixar ainda detém o segredo, a julgar pelo desempenho de suas franquias como Toy Story, que somente no último filme ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. E qual seria o segredo? Não importa quanto dinheiro seja gasto ou qual ator ou diretor esteja no projeto, todo filme precisa de uma boa história. Isso é básico.

Não se surpreenda se nas próximas Páscoas, a tradição de não comer carne acrescente o filme do coelhinho. A televisão tem dificuldade de ajustar a programação que geralmente encontra filmes bíblicos, algo difícil para as crianças.

A julgar por estes e outros filmes de datas comemorativas, é melhor passar longe dos cinemas. O dia em que lançarem despretensiosamente um filme relacionado à Páscoa ou de outra data comemorativa durante um mês qualquer, talvez seja um sinal de que há alguma coisa a mais do que uma mera oportunidade.

Avaliação: Ruim

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=q8XGY-0doxU

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Entrevista na Rádio Cidade



Na manhã de ontem, estive na Rádio Cidade de Jundiaí para falar sobre o Projeto de Cinema no Ação e Informação, um dos programas de maior audiência na cidade.

A equipe foi incrível, quero agradecer a todos, fui recebido muito bem.

Para quem não pôde ouvir, confiram o video.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Música, um mero detalhe

Talvez o show tenha sido o melhor da vida de muitos dos presentes. A verdade é que a banda fez muito barulho numa apresentação para os olhos ver, deixando os ouvidos em segundo plano, algo não necessariamente ruim


Na última quarta-feira, 13 de abril, entraria no palco do Morumbi em São Paulo o melhor conjunto musical da atualidade, talvez um dos maiores que já existiu. Pelo menos essa era sensação dos fãs antes de começar o espetáculo da banda irlandesa de rock U2, liderada pelo astro pop e líder político Bono Vox.

O clima no estádio era tranquilo, nada parecido com o de qualquer outra apresentação do gênero, onde estamos acostumados a ver um público predominantemente jovem, camisetas pretas e longos cabelos nas costas. O que se via no estádio era um clima de paz, famílias de três gerações em perfeita harmonia.

Na abertura, apresentação da banda Muse, de enorme sucesso nos EUA, porém não muito conhecida por aqui, salvo pela música tema do filme Crespúsculo. Quem foi ao show sem se preocupar com eles ganhou uma agradável surpresa. Num rock a estilo ala Radiohead, a banda mostrou que pode num futuro não muito distante voltar e fazer sua própria apresentação no estádio.

Chegada a hora do show, era nítida a ansiedade das quase 90.000 pessoas no estádio. O monstruoso palco só podia gerar a maior das expectativas. O atraso aconteceu, mas foi pequeno. A entrada tranquila de cada integrante enlouqueceu o estádio que foi abaixo logo na primeira música “Even Better Than The Real Thing” do álbum Acthung Baby, que além desta, teve mais duas músicas. Em seguida a banda emendou duas músicas último álbum “No Line in the Horizon”, que apesar de serem boas, não foram acompanhadas em coro. Pode-se dizer que o show começou mesmo com o sucesso “Elevation”, para depois abrir os clássicos “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e “Pride (In The Name Of Love)” cantados belamente pelo público num dos melhores momentos do show.

Uma pausa para um convidado especial, diferente dos dois primeiros dias de show do fim de semana. Sobe ao palco Seu Jorge com um “Boa noite Brasil”, para em seguida, com seu violão, cantar com Bono aos seus pés, literalmente, “The Model”.

O carisma do vocalista é impressionante, que arrisca algumas palavras em português, mas que na maior parte do tempo é auxiliado por uma legenda meia-boca ao longo dos longos discursos no telão acima do palco. Nada disso incomoda aos fãs. Além disto, a performance dos demais integrantes foi impecável.

No entanto, nem tudo foi perfeito no show. Fora o monstruoso palco que exibia uma particularidade em cada música numa pirotecnia exuberante, as mensagens políticas cansaram um pouco. Para quem é fã da música “One” e gosta de ouvir e pensar naquela pessoa teve a imaginação roubada pelas homenagens e discursos da ONG do vocalista, de mesmo nome da canção. Aliás, antes do show, diversos jovens foram espalhados pelo estádio a fim de conseguir novos membros pela causa. Foi assim com “Sunday Blood Sunday”, para os países em ditadura como a Líbia, “Beautiful Day” que antes teve um poema lido por uma moça que subiu ao palco vindo da plateia, “Walk On” em homenagem a Suu Kyi e “Miss Sarajevo”, que Bono arriscou uma de Pavarotti, algo que nos fez sentir saudades do tenor.

A banda encerrou o show e voltou por duas vezes. Na última, finalmente o que todos aguardavam ansiosamente, “With Or Without You”, momento que os casais eternizaram se abraçando ou ligando para quem não pôde estar lá. Com certeza este foi o ponto alto do show, viu-se muita gente aos prantos de emoção. Por fim, para encerrar de vez, a bela música “Moment Of Surrender”.

Talvez o show tenha sido o melhor da vida de muitos dos presentes. A verdade é que a banda fez muito barulho numa apresentação para os olhos ver, deixando os ouvidos em segundo plano, algo não necessariamente ruim. A banda por si mesma carrega um peso enorme de superação em cada apresentação, algo que mais atrapalha do que ajuda. Os fãs não se importam, estão num sonho e a banda sabe fazer isso muito bem. Para quem não pode ir, fica o arrependimento e a torcida para que a banda volte o quanto antes. Se o show será melhor que este, o histórico da banda mostra que a cada tour os irlandeses vão provando para cada vez mais pessoas que talvez sejam mesmo o melhor conjunto musical da atualidade.

Avaliação: Bom

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Matéria no Jornal da Cidade


Na edição de hoje do Jornal da Cidade, o excelente jornalista Mauro Utida publicou uma matéria para falar do projeto de cinema que estamos realizando em Jundiaí.

Espero que gostem.

Confiram no site do jornal http://www.jornaldacidade.com.br

A matéria está na página 12.





terça-feira, 12 de abril de 2011

Exibição em Mogi das Cruzes

Dias 15 e 29 de abril na Universidade de Mogi das Cruzes


Este mês, no centro cultural da Universidade de Mogi das Cruzes haverá exibições do filme As Melhores Coisas do Mundo, que será realizada no próximo dia 15 de abril das 09:30 às 11:30 e dia 29 de abril das 19:30 às 21:30.

O filme, da diretora Laís Bodanski, fala sobre os já batidos conflitos da adolescência, porém os mostra de uma maneira honesta, divertida e livre de tabus. Entrada franca.

Em breve uma crítica do filme.

By Bruna Yukari, agente de exibição.

Mais informações sobre o endereço: http://www3.umc.br/noticias/index.asp

Exibição em Jundiaí

28 de abril no anfiteatro do Centro Universitário Padre Anchieta


Começaremos a exibição a dos filmes em Jundiaí no próximo dia 18 de abril no Centro Universitário Padre Anchieta no Campus do Centro. O evento será fechado para os alunos do ensino médio com participação da imprensa.

E a partir do dia 28 de abril teremos uma sessão aberta ao público. A entrada é gratuita. O evento começa a partir das 19:00h no anfiteatro, que tem capacidade para mais de 500 pessoas.

Esperamos que não caibam todos!

A programação será a seguinte:
19:30 - exibição do curta Ratão
20:00 - exibição do longa As Melhores Coisas do Mundo
21:40 - início dos debates.

Para os alunos do Centro Universitário, o filme valerá como atividade complementar.

Que venham todos!

Mais informações sobre o endereço, acesse www.anchieta.br

Amor?

O amor está muito próximo do ódio. O contrário do amor, portanto, é a indiferença e a prova que o filme nos dá sobre isso é justamente essa: talvez ainda exista amor

O que faz alguém continuar com um relacionamento que só gera sofrimento? Amor? Bem, é exatamente isso o que mais novo filme de João Jardim(Amor?, Brasil, 2011) tenta responder. Após o sucesso de seu documentário Lixo Extraordinário que recebeu indicação ao Oscar deste ano, o diretor segue agora incansável na divulgação de seu mais novo longa.

O filme conta a história de 8 pessoas através de seus depoimentos, todos interpretados por atores, relatando como se sentiam dentro duma relação conturbada, tanto no caso da vítima como do agressor. O resultado são palavras que machucam o próprio telespectador diante de tanta sinceridade. Não pense que seja um filme que fala meramente da violência conjugal. Na verdade, o filme fala sobre o amor.

No início, temos o depoimento de Laura, interpretada por Lilian Cabral, que afirmava que na relação os dois se agrediam. “Ele falou: ‘você é daquele tipo de pessoa que sempre precisa de um elogio?’, como se precisar de um elogio fosse um defeito, entendeu? Isso perturbou uma pouco minha cabeça. Mas um dia eu criei coragem e disse: ‘Olha aqui Marcos, eu preciso de elogio sim, todo mundo precisa de um elogio”, revelando seu sentimento de invisibilidade diante do marido, algo que a fazia alimentar a sua baixa estima, típica situação de um ciclo que escraviza. A pessoa sente-se tão mal com a situação que começa a achar que ela mesma é a culpada do problema e acaba por interpretar como afeto um verdadeiro ato de violência.

Depois temos o depoimento de um agressor interpretado por Eduardo Moscovis, em excelente atuação, que assusta por sua lucidez e consciência como homem violento. Como foi que aquilo começou? “Eu vi minha mãe ser agredida por meu pai e outros de seus companheiros. Agredia outras mulheres como uma forma de redimir minha mãe. No caso do meu pai não, ele batia porque tinha razão. Um homem não pode ser humilhado”. Curiosamente, durante o depoimento, ele ficava com o celular no ouvido para constatar que sua companheira estava escutando o que estava dizendo. "Eu partia para agressão. Se a mulher não gostasse, eu recuava, agora, se gostasse, eu não tinha medida, podia até machucar", completa o personagem.

As pessoas que aparecem no filme são de classe média, aparentemente abastadas sem maiores problemas em suas vidas. O que as fazia ser assim era um série de sentimentos desenvolvimentos por alguém que acreditava amar. A insegurança de não ser amado como devia, o ciúme doentio, geralmente reflexo da própria atitude em relação ao sexo oposto e a punição.

Jardim explicou que ao longo do processo entrevistou 40 pessoas. Destas 40 pessoas, ficaram os depoimentos de 8. Sobre o roteiro, disse que não mudou absolutamente nada, nem mesmo as citações de Nelson Rodrigues feitas por Lineu, interpretado pelo sempre eficiente Ângelo Antônio. Neste caso, por que não colocar os entrevistados de verdade então? Por motivos óbvios, ninguém quer aparecer para falar abertamente de um assunto tão delicado, tão vergonhoso, tão humano. Para dar credibilidade às interpretações, Jardim fez diversos ensaios até que achasse que os atores estivessem preparados, para somente então gravar o depoimento na integra, em apenas uma tomada, tal como na realidade. Curiosamente, o diretor revelou que os homens tiveram mais dificuldade, precisaram de inúmeros ensaios.

“Queria trazer uma familiaridade, transformar aquilo em algo universal e para isso, misturei os depoimentos para descaracterizá-los de qualquer pessoa. O filme não é sobre aquelas pessoas, o filme é sobre nós mesmos”, diz Jardim. E é exatamente neste ponto que o diretor acerta. A sensação de que qualquer um de nós poderia fazer o mesmo nos faz parar para pensar. Afinal, a violência física nunca é o primeiro passo, ela começa através de pequenas agressões psicológicas. Quando chega ao ponto da violência física de fato, ambos já estão seriamente machucados.

O que o filme tem em comum com os demais trabalhos do diretor fica evidente na temática: autoestima. No final, o filme fala mais sobre amor do que violência, mais sobre cumplicidade e obsessão. Apesar de casos extremos, a violência está presente em grande parte dos relacionamentos, muitas vezes de forma camuflada. O processo se torna uma doença, um ciclo vicioso.

Nas palavras de Alice, que dá o último depoimento: “Eu não fui embora porque gostava dele, ele tinha o controle e dominação sobre mim. Minha vida se tornou um inferno. Você passa a ser um não ser”.

O amor está muito próximo do ódio. O contrário do amor, portanto, é a indiferença e a prova que o filme nos dá sobre isso é justamente essa: talvez ainda exista amor. Mas que tipo de amor?

O filme estréia nesta sexta, dia 15. Consulte a programação de sua cidade.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=ZyYeYZQHj0o