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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Famílias Perdidas

Infelizmente há pessoas que não podemos substituir. É preciso ser forte para entender e aceitar quando perdemos alguém para sempre

por Thiago Miota

As famílias formam à base de qualquer sociedade. Se algum país, estado ou cidade não vai bem e você quiser olhar fundo para encontrar o verdadeiro problema, invariavelmente vai acabar chegando na família. Ela não é culpada de tudo, mas é onde tudo começa. Ignorar este fato pode ser um sério problema.

O filme Corações Perdidos (Welcome to the Rileys, 2010, EUA, Inglaterra) representa muito bem o que estou dizendo apresentando a vida de duas famílias esfaceladas. Numa delas, temos Doug(James Gandolfini), um homem bem-sucedido, empresário, praticamente aposentado, muito bem casado, mas que leva uma vida vazia. Sua vida perdeu o sentido quando a filha, de 15 anos, morreu vítima de um acidente. Sem ela, sua família não foi mais a mesma. Sua esposa Lois(Melissa Leo) jamais saiu de casa depois disto, sequer para pegar as cartas do correio. Com o tempo eles se distanciaram cada vez mais.

As coisas mudam quando Doug descobre que sua esposa comprou uma lápide ao lado do túmulo da filha, como uma espécie de planejamento para o futuro. Isso o enfurece e desesperado com a vida que leva como se fosse uma espécie de morto que faltasse apenas enterrar, sente que precisa fazer alguma coisa, mas não sabe o quê. “Não estou morto”, diz, “há muitos lá fora que estão mortos e precisam de lápides, mas nós não.”

Numa convenção do trabalho, em Nova Orleans, ele sai abruptamente até chegar num clube de strip. Lá vai parar, por acaso, num quarto de uma stripper, que fica incomodada com o fato de ele não querer transar com ela. Depois de tanto insistir, pensando que ele é um policial, sai aos berros pela casa. No entanto, os dois se encontram, por acaso novamente, e ele pede desculpas, o que culmina numa amizade. Doug liga para esposa, informando que não voltará para casa.

A stripper, interpretada por Kristen Stewart de “Crepúsculo“, sozinha, forma a outra família. Ainda criança, ela perde os pais, também num acidente e acaba por levar uma vida promíscua, sem direção por falta de orientação. Doug enxerga nela a oportunidade de continuar cuidando de sua filha.

A história sofre diversas reviravoltas, que apesar das diferenças e momentos alegres, acaba sendo um retrato fiel de uma família, no caso, remendada, com todas suas contradições. Doug e Lois formam a parte da família sem uma filha e o estrago que isso causa é de certa forma amenizado por uma adolescente sem família, a segunda parte que se complementa.

Temos aqui um verdadeiro drama, coroado por belas atuações que nos fazem sentir a angústia de viver no vazio por estar sem as pessoas que amamos. Jake Scott, o diretor, tem nas mãos seu primeiro trabalho nas telas e mostra que saber fazer mais do que clipes musicais. A trilha sonora, por vezes imperceptível, dá o tom certo para os momentos vazios, aqueles onde sequer podemos ouvir nosso próprio coração.

Infelizmente há pessoas que não podemos substituir. É preciso ser forte para entender e aceitar quando perdemos alguém para sempre. Como disse Hector Abad Faciolince, há momentos na vida em que só podemos nos divertir, mas há outros em que só podemos sofrer. Se sobrevivermos a isso, quer dizer que amadurecemos.

Avaliação: Bom

Artigo publicado orignalmente em www.capitaldaarte.com

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Projeto Brazucah de Cinema Nacional terá debate

A matéria foi publicada hoje, pela excelente repórter Márcia Mazzei.


O Projeto Cultural de Cinema Nacional está de volta a Jundiaí, com a exibição, hoje, do longa nacional "Apenas o Fim". A sessão começa às 19h10, no campus central do Centro Universitário Padre Anchieta. A entrada é gratuita. Lançado em 2008, o filme conta a história de Antônio, interpretado por Gregório Duvivier, e sua namorada, interpretada por Erika Mader, que discutem sua relação antes de se separar.



Feito por estudantes da PUC-Rio, o longa ganhou prêmios de Melhor Filme do Júri Popular e Menção Honrosa do Júri Oficial no Festival do Rio 2008 e o Prêmio de Melhor Filme do Júri Popular na 32ª Mostra de São Paulo. Também foi exibido em Festivais de Cinema no mundo inteiro.

Como aconteceu na edição passada do projeto, após a exibição do filme, convidados especiais promoverão um debate com a plateia. Desta vez, estarão presentes Ana Claudia Fossen, doutorando em Psicologia pela Universidade de Madrid e a professora Lucia Helena, Doutora em Educação, membro efetivo da academia de letras de Jundiaí.

Origem - O Projeto Cultural de Cinema Nacional da Rede Brazucah chegou em Jundiaí em abril deste ano com o desafio de minimizar o preconceito ainda existente em relação ao cinema nacional. De acordo com Thiago Rodrigues Miota, agente de exibição do projeto, que representa a Brazucah, a qualidade das produções nacionais ainda é questionada, por falta da oportunidade de prestigiar filmes de qualidade.

"Daí a urgência do projeto, que busca divulgar o cinema nacional e formar um público para este cinema", conta Miota. "Apenas o Fim" será exibido gratuitamente, no Anchieta - Campus Anhanguera (Km 55).



por MÁRCIA MAZZEI


Matéria publicada originalmente no Jornal de Jundiaí

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um Homem sem Nome

Não há dúvida que ele é um dos maiores que já existiu

Um homem sem nome não pode ser de confiança, ainda mais sendo ele um estrangeiro em terra de estrangeiros. Irônico, mas foi assim que Clint Eastwood imortalizou seu nome: sem nome. Prestes a completar 81 anos, temos muito o que agradecer a este homem, político, cineasta, músico e pensador.

Poucos sabem, mas a vida deste octogenário nem sempre esteve perto do cinema. Nascido em 1930, na época da grande depressão americana, passou por diversos empregos e mesmo após se formar na Universidade de Oakland, ainda trabalhou como atendente de posto de gasolina e bombeiro.

Em 1950, Clint foi convocado ao exército. Numas das viagens, seu avião caiu, quase morreu no acidente. Em função disto, ficou impedido de lutar na Guerra da Coréia. Poderia ter morrido depois, melhor quase morrer antes. Imagine o que perderíamos se isso ocorresse? Se não sabe, vou tentar lhe explicar brevemente.

Sua carreira começou um tanto tardia, quase aos trinta, fazendo pontas em filmes de segunda linha. Em 1959, trabalhou com o diretor James Garner na conhecida série “Maverick”, um prenúncio de que sua vida seria associada ao mundo do western. Apesar do sucesso, foi somente em 1964 que o mundo conheceu seu nome na Trilogia dos Dólares, filmes estes dirigidos pelo italiano Sérgio Leone. Seu personagem não tinha nome, mas seu estilo calado de poucas expressões imortalizou o gênero western, que na época, se arrastava no cinema americano e ganhava sobrevida com o spaghetti western da Europa. Sim, foi na Itália que Eastwood ganhou fama em sua terra natal. Sobre ele, Leone disse certa vez: “Eu gosto do Clint porque ele tem somente duas expressões faciais. Uma com chapéu e outra sem ele.”

A partir daí sua carreira deslanchou. Os críticos não entenderam muito bem na época o que acontecia e demorou um tempo para darem o devido reconhecimento. Todavia, com o público não aconteceu o mesmo, seu sucesso influenciou gerações (Quentin Tarantino disse certa vez que decidiu ser cineasta após vê-lo em "Por um punhado de doláres". Ou seja, sem Clint, não teríamos "Bastardos Inglórios" nem "Pulp Fiction"). Na década de 70 começou sua parceira com Don Siegel no filme Dirty Harry(por aqui "Perseguidor Implacável"). Resultado: mais um mito criado. “Vá em frente, faça meu dia”, diz Dirty, ansioso em ver o mau para poder puxar o gatilho. O filme ganharia mais quatro sequencias. Sua gana para cumprir a leis até as últimas consequências mexeu com a consciência liberal americana.

Na mesma época, Eastwood iniciou sua brilhante carreira de diretor com o filme “Perversa Paixão” sobre um radialista que começa a ser perseguido por uma fã lunática. Diferente dos trabalhos de ator, quando diretor, ele parece se dissociar no western, teoria criada por diversos críticos, mas que não se sustenta. Perceba que ao assistir os filmes dirigidos por ele, invariavelmente verá as mesmas pessoas na equipe técnica, como Joel Cox(editor) e Jack Green(fotografia), para citar alguns. As vantagens são óbvias. Conhecendo a equipe, não é preciso muito tempo para alinhar o pensamento. Durante as filmagens, não se ouve muito barulho, apenas as palavras “Ok”, “Corta”, “Ação”. O cowboy de poucas palavras continua por trás das câmeras, implacável. Seus filmes não demoram mais que quatro semanas para serem editados. Os atores agradecem, quase sempre indicados aos grandes prêmios.

Suas histórias procuram explorar o lado humano. Cada filme possui uma temática diferente. Exemplo disto é seu último longa “Além da Vida”, que trata do complicado tema da morte. Ora, o que Clint poderia falar sobre a morte? Tudo, com uma propriedade e imparcialidade magistrais. Não se trata de um filme espírita em que um médium fica falando com os mortos ou psicografando cartas cheias de obviedades. E o melhor disto é que não precisamos ver o filme para descobrir, basta saber quem o fez.

Seus filmes nunca tiveram grandes orçamentos. Mesmo tendo sucesso como ator, foi somente com o clássico “Os Imperdoáveis” que ganhou a graça do público e da academia americana por seu trabalho na direção. Lançado em 1992, o filme conseguiu excelentes bilheterias e foi indicado a 9 oscars, vencendo 4, incluindo direção e filme. Numa de suas clássicas falas, para explicar a um garoto o que significa abater um homem, ele diz: “É tirar tudo o que ele tem e tudo o que ele alguma vez terá”.

Depois do sucesso com “Os Imperdoáveis”, sua vida como cineasta ficou mais fácil e os temas cada vez mais diversos. Quem não se comoveu com “As Ponte de Madison”? Prova de que o romance também pode atrair os durões. “Sobre Meninos e Lobos” e “Menina de Ouro”, estes também aclamados pela crítica, são obras que falam belamente de temas polêmicos como pedofilia e eutanásia.

Talvez o filme que represente o paroxismo do estilo Eastwood de ser seja o recente “Gran Torino”. Curiosamente foi a obra que mais arrecadou em bilheterias por toda sua carreira como ator e diretor. Ali vemos personagens não apenas fisicamente solitários, mas também moralmente solitários, acompanhados apenas por poucas câmeras lhes dando o tom certo de iluminação, com coragem diante das piores decisões que a vida possa nos trazer.

"Às vezes, eu penso em parar [de trabalhar] por um tempo, mas daí aparece aquele roteiro ótimo...", disse recentemente no lançamento de seu longa “Além da Vida”. Que a vida permita, que os roteiros continuem aparecendo e Clint possa nos dar mais uma década com seus filmes e reflexões. Não há dúvida que ele é um dos maiores que já existiu.

Não sei se foi de propósito, mas tenho uma teoria sobre o Homem sem Nome. Talvez o personagem fosse sem nome, para que nós, ao assistir, pudéssemos colocar os nossos.

Artigo publicado originalmente no Jornal Abcdmaior

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quando a dor é muito forte

E se as coisas fossem diferentes? Se eu não tivesse agido daquela forma? Na vida, as piores dores originam-se de fatos inesperados e não há pedido de desculpas que possa aliviar isso

Perder alguém na morte é uma das piores dores que alguém pode ter na vida. Some isto o fato de este alguém ser um filho. Pior, uma criança de 4 anos, com a vida inteira pela frente. Não bastasse, tudo isso num acidente, onde não há tempo para se arrepender ou se despedir. Como lidar com essa dor? Como ficam os pais nesta história? Como fica o casamento deles?

Nos cinemas a partir desta sexta, o filme Reencontrando a Felicidade(Rabbit Hole, EUA, 2010) narra uma história como essa, oito meses depois do ocorrido. Becca(Nicole Kidman) e Howie(Aaron Eckhart) vivem um impasse, não conseguem seguir adiante com suas vidas, como se cada dia fosse o dia seguinte ao acidente. E a cada dia, apesar de ainda estarem próximos fisicamente, um enorme distanciamento emocional se abre entre eles.

A história do filme é inspirada na peça homônima de David Lindsay-Abaire, que se destaca por mostrar essa tristeza onde ela está mais presente e cruel, onde só quem a sente pode enxergar. O diretor John Cameron Mitchell, acostumado com as questões da intimidade, de forma brilhante nos coloca rapidamente dentro deste universo, com cenas sutis, poucas palavras, sorrisos e olhares, que deixam de ser o que são porque carregam lembranças de um tempo que não existe mais. Estranhamente, a textura triste do filme não nos afasta, apenas gera compaixão, justamente por saber que todos nós lidamos com a tristeza de formas e tamanhos diferentes. Empatia.

O sentimento de culpa está nitidamente nas costas dos atores em cada cena, mas não há culpados. Nestas horas há os que buscam em Deus um consolo para explicar o ocorrido, assim como também outros o culpam por isso. Numa das mais belas cenas do filme, durante um encontro com um grupo de casais com o mesmo problema, Becca desabafa impetuosamente contra um pai que diz que Deus havia transformado sua filha num anjo. Paradoxo.

Nicole Kidman, que parece ter superado a maldição de atriz que vence o Oscar e se apaga, se mostra afeiçoada aos papéis de infelicidade, convencendo tacitamente o público que a assiste de que a dor não é fácil. Atuação está, aliás, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar deste ano. Merecido.

Lidar com a dor, sozinho, tem suas vantagens. Contudo, em casal, é preciso lidar com a dor do outro e cada pessoa tem maneiras diferentes de enfrentar o mesmo problema. Enquanto Becca não suporta as lembranças, Howie precisa delas pare se reconfortar. Essas diferentes formas de lidar com a situação pode destruir um ao outro mutuamente. “As coisas não são mais legais entre nós”, desabafa o marido, incapaz de seguir adiante. Muitos casais se separam após viver tal apocalipse. Sinal de falta de amor? Ninguém pode ser julgado. Esse é preço de colocar nossa felicidade em cima de outra pessoa. Melhor não amar? Seria sofrer por antecipação.

A mensagem que o filme traz é de que talvez não exista uma formula para lidar com a dor. No entanto, é inegável que temos que enfrenta-la até as últimas consequências. Na cena inicial, uma vizinha elogia o belo jardim de Becca e a convida para um jantar. Incapaz de se relacionar com outras pessoas por causa de sua dor, ela declina o convite. Neste instante, quando ela olha para baixo, vê que a vizinha pisou sem querer na rosa que tanto elogiou, matando-a. Foi sem querer, e ela pede desculpas por isso. A cena resume tudo.

E se as coisas fossem diferentes? Se eu não tivesse agido daquela forma? Na vida, as piores dores originam-se de fatos inesperados e não há pedido de desculpas que possa aliviar isso. Contudo, se formos fortes, algo inesperado também pode mudar tudo outra vez, para o bem.

Avaliação: Bom

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=nypzdbob3sk

domingo, 1 de maio de 2011

Um deus com brilho de vezo

Parece que o filme foi feito para quem não conhece a mitologia e nem o quadrinho.

Não faz muito tempo, a Marvel revolucionou o modo de contar histórias em quadrinhos dentro do cinema. Quando lançou o primeiro filme da franquia Homem de Ferro, além de mostrar o super-herói e contar sua origem, ainda fez leves referências a outras histórias de outros super-heróis, como se tudo acontecesse ao mesmo tempo, no mesmo universo. Isso, claro, estimulou a imaginação dos fãs, que ficavam ansiosos para conhecer as outras partes da história. Seguindo a sequência, agora é a vez do poderoso Thor(Thor, 2011, EUA) ganhar seu filme.

Na trama, Thor é o filho primogênito de Odin, o mais poderoso dos Deuses, e irmão de Loki, o ser mais astuto do universo. Herdeiro natural ao trono, Thor se vê enfurecido com a interrupção da cerimonia que o coroaria como rei pela invasão e quebra do pacto dos Gigantes do Gelo, eternos inimigos de Asgard. Sem o consentimento de Odin, Thor que costuma usar mais a força do que o intelecto decide por conta própria ir até o planeta dos Gigantes e declarar guerra. Não é preciso dizer que sua atitude petulante é desaprovada por seu pai, que o deserda do trono, tira seus poderes e o manda direto a Midgard, ou Terra.

As histórias de Thor e seu martelo Mjolnir são contadas há séculos por gerações. Elas fazem parte da mitologia nórdica que inspirou a trilogia do Senhor dos Anéis e as melhores composições de Richard Wagner. Por aqui ela não é tão conhecida como a grega, mas isso não quer dizer que seja inferior. Talvez com o advento do filme ela passe a ser mais valorizada.

As lendas são contadas nos quadrinhos desde 1963, por ninguém menos que Stan Lee, ele próprio um deus dentro deste mundo. Quem leu os quadrinhos sabe que se trata de uma história rica em detalhes e frases de efeitos, personagens com personalidades complexas e marcantes. A julgar por isso, digamos que o diretor Kenneth Branagh não se saiu bem na tarefa.

No filme, o personagem de Thor é interpretado pelo desconhecido Chris Hemsworth, apropriado ao papel somente pela aparência escandinava, mas sem muito talento como ator. Odin é interpretado por Anthony Hopkins, uma escolha que seria acertada se ele voltasse a atuar como em outros tempos. Além disso, foi uma pena ver o personagem de Loki, interpretado pelo excelente Tom Hiddleston, um dos vilões mais interessantes da mitologia e dos quadrinhos, retratado no filme apenas como um filho revoltado. Com o sucesso de outros filmes e precisando fazer outros tantos em tempo hábil, parece que a Marvel não teve muito tempo para trabalhar a história, deixando tudo acontecendo de forma sorrateira, sem brilho, apenas seguindo o vezo de contar histórias rentáveis.

Por outro lado, o que compensa um pouco estes problemas é a super-produção. As batalhas são épicas, extremamente bem feitas, principalmente para o advento do 3D, mas que nem por isso deixa de ser dispensável. Ou seja, o foco ficou nos efeitos, deixando os diálogos de lado. Prova disso é a patética cena em que a personagem de Natalie Portman corre para seu amado Thor(que conheceu a poucas horas), gritando "Nãooo", após ele receber um golpe do inimigo. Imagine, tudo isso em câmera lenta, difícil de engolir. Mas, para quem não se importa muito com essas coisas e quer ver os heróis na tela, não vai se arrepender. Parece que o filme foi feito para quem não conhece a mitologia e nem o quadrinho.

O próximo filme da Marvel antes de lançar o tão aguardado Vingadores é do herói "mais nacionalista impossível", Capitão América. A partir daí resta saber como unir todas histórias com elementos convincentes. O que um deus tão poderoso como Thor iria fazer com outros heróis, digamos mais humanos, como Tony Stark? Aliás, este é outro problema. Diferente do Homem de Ferro, em que o personagem interpretado por Robert Downey Jr rouba a cena, os demais filmes apenas seguem o protocolo, com atuações de praxe. A plateia vai chiar se ver Downey Jr preterido por outros heróis. O que fazer? Mudar a história? Os fãs dos quadrinhos não vão gostar.

Para encerrar, uma curiosidade e um conselho: os anglo-saxões deram o nome de Thor ao quinto dia da semana, "Thursday" ou "Thor’s day", quinta-feira em inglês. Porventura seja o melhor dia para ver o filme. E por fim, se for ver o filme, lá vai o conselho: não saia do cinema até a tela apagar.

Avaliação: Regular

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=u9WNinne69k

sábado, 30 de abril de 2011

Como escolher um bom filme?

Não é nenhuma receita mágica. Escolher um bom filme é uma arte e demanda tempo para dominá-la.

Sábado à noite, você em casa sem fazer nada. Que tal ver um filme? Locadora. Chegando lá, uma imensidão deles a sua disposição. Caso tenha sorte, sua locadora é daquelas que separa os lançamentos dos recentes, e os recentes dos mais antigos, respeitando os gêneros. Claro, como quase 90% das pessoas, você vai direto para as novidades, não quer ver coisa velha. Fica em dúvida entre aquele filme que tem aquela atriz bonita que você deve ter visto em algum título ou entre aquela obra que pelo nome promete muita ação e suspense. Resolve escolher a segunda opção, afinal, não vai alugar algum filme por causa de coisas fúteis não é mesmo? Acertou? Nem de perto.

Quantas vezes você alugou um dvd, que passados alguns minutos, dá vontade de devolver sem pagar para locadora? E quantas vezes você foi embora ao meio de uma sessão de cinema cheio de cólera por sentir-se engodado pela trama? Pois é, isso é muito comum. No entanto, na maioria dos casos, a culpa é só sua.

Sendo assim, qual o segredo para escolher um bom filme? Bem, o que vou lhe dizer neste artigo, não é nenhuma receita mágica. Escolher um bom filme é uma arte e demanda tempo para dominá-la.

Para começar, é preciso definir seu próprio gosto. Qual tipo de filme você gosta? Existem pessoas que não se importam com isso, basta apenas uma boa história com atuações convincentes. Porém, se você é daqueles que só gosta de comédias ou suspenses, procure não arriscar. Deixe que outras pessoas mais entendidas lhe indiquem qual deles deve ser iniciado em outro gênero.

Após isso, é preciso cultivar um hábito. Sempre que for ver qualquer filme, memorize as seguintes pessoas: diretor e roteirista. São fundamentais. Mesmo que o Clive Owen esteja na filme, se o diretor e o roteirista não forem bons, ele também provavelmente não será bom, independentemente da grana que foi gasta para realizá-lo. O roteiro nada mais é do que a história, e se ele não souber contar a história com bons diálogos, tudo perde o sentido e o ator ficará seriamente limitado. Já o diretor, é quem vai dar a visão da história, qual o enfoque da câmera. Isso faz toda diferença. Esqueça os nomes, geralmente exagerados quando traduzidos em nossa língua (o clássico “Vertigo” é traduzido como “Um Corpo Que Cai”, nome que além de exagerado entrega o final) e não confie demais na sinopse, é ali que eles vendem o peixe, sempre o melhor da feira.

Quando este hábito for adquirido, ao escolher algum título, a primeira informação que deve ser vista é essa: quem é o diretor? Caso não o conheça, antes de ir ao cinema, pesquise sobre, veja quais são seus trabalhos anteriores. Os bons diretores são aqueles que têm um estilo. Portanto, se o filme for daquele diretor, você saberá basicamente como ele será. Por exemplo, não vá assistir a um trabalho de Quentin Tarantino e depois reclamar da violência, seria ridículo.

Mentalizar os atores também é importante. Por exemplo, dificilmente Leonardo Di Caprio faz algum longa-metragem ruim. É um ator que sabe escolher seus projetos e não se preocupa com dinheiro, apesar de receber hoje um dos maiores cachês de Hollywood. Mas isso não é ciência exata. Outro exemplo: Robert De Niro é uma lenda viva do cinema, atuou em obras maravilhosas, porém, os últimos anos mostram que é preciso ter cuidado ao escolher assistí-lo. Sean Penn talvez seja o melhor ator vivo na atualidade, mas cuidado, invariavelmente seus projetos tem uma temática política, ou seja, se você não gosta, não arrisque.

Com o tempo você vai somando critérios. Ao escolher o que assistir, soma-se e subtrai. Tem este diretor que gostei do filme “x”, mas tem este ator que não gostei nos demais. A história parece promissora, mas não costumo ver este tipo de obra. Talvez seja melhor pegar este que tem o diretor que fez o título “y” com aquele ator que trabalhou no longa “z”. Já vi outras histórias deste roteirista e fiquei sabendo que para fazer o filme eles ficaram tanto tempo naquela região. Vou alugar este.

O ideal é sempre saber mais sobre o que vai ver e por isso que as críticas são importantes. Contudo, só a opinião do crítico não basta, é importante você utilizar seus critérios. Mesmo que alguém fale mal do filme que pretende ver, se ele estiver dentro de seus critérios, dificilmente vai se enganar. O contrário também é verdade.

Há filmes que são pra entreter, como "X-Men" ou "Thor". Não espere nada além disto, mas se vier, melhor. Também há aqueles feitos para pensar e não espere se divertir demais com eles, mas caso aconteça, melhor. O bom filme é aquele une tudo isso e não há formulas, o que há são artistas. É com eles que você deve se preocupar. Se fizer isso, dificilmente vai errar.