No longa tudo é secundário perante os efeitos, inclusive a própria história, que parece atrapalhar a ação do filme
por Thiago Miota
Ele é o diretor das catástrofes. Em sua lista aparecem “Armageddon”, “A Ilha”, “Transformes” e “Tranformers: A Vigança dos Derrotados”, sem contar os terrores que produziu como “Sexta-Feira 13” e “A Morte Pede Carona”. Nos tempos em que as pessoas parecem incapazes de se concentrar somente numa coisa só, suas habilidades pirotécnicas tornam-o uma espécie de zeitgeist dos cinemas.
Estou falando do cineasta Michael Bay, que dirige Transformers: O Lado Oculto da Lua(Dark of the Moon,2011,EUA),aparentemente fechando a trilogia. Conhecendo seu currículo, pode-se imaginar o que teremos nas telas.
Desta vez, a história do filme remete a Guerra Fria(com certeza o contexto mais clichê do cinema), no período da corrida espacial entre Estados Unidos e URSS. Sabe-se que os americanos chegaram primeiro, mas foram os russos que estrearam as câmeras. Um dia Optimus descobre que os humanos lhe esconderam algo ocorrido no lado oculto da Lua. Trata-se da queda de uma espaçonave vinda de Cyberton, comandada por Sentinel Prime, que desencadeou a corrida espacial. Agora os Autobots precisam despertar Sentinel, que julgam fundamental para deter os Deceptions. Contudo, eles não imaginavam que aquilo pudesse ser uma armadilha.
No longa tudo é secundário perante os efeitos, inclusive a própria história. O roteiro do filme é tão ruim que nem atores de altíssimo nível como John Turturro, Frances McDormand e John Malkovich conseguem dar sentido para o caos. Somente Shia LaBeouf parece acostumado com tudo aquilo.
Como brigou com o diretor, a atriz e musa dos filmes anteriores, Megan Fox, foi substituída. Para explicar o fato, o personagem de LaBeouf diz que foi chutado, mas que agora está feliz pois encontrou o amor de sua vida, ou seja, a outra não era tudo aquilo. O desenrolar da trama não desenrola, apenas uma confusão de quem vem a Terra, quem vai ficar com o poder, algumas intrigas malfeitas e piadas espalhadas no meio das cenas de ação. Nas poucas vezes que os diálogos aparecem, para não atrapalhar, apenas servem para explicar algum ponto nebuloso do filme.
São mais de duas horas e trinta minutos, um verdadeiro martírio. Poderia ser apenas uma, e ainda seria cansativo. Os feitos especiais e a produção são excelentes, mas depois de alguns minutos perdem a graça.
Se foi tão difícil para assistir, imagine para Michael Bay dirigir. Aliás, antes de começar as filmagens do terceiro, ele próprio revelou que o segundo “foi um lixo”, explicando que havia sido assim por causa da correria. Só que desta vez não há desculpa, e parece que o resultado não ficou muito diferente do último.
A estreia foi acertadamente adiantada para o dia 29 de junho nos Estados Unidos, reservando a sexta para o restante do mundo. Com o que foi arrecadado até agora, estima-se que, somente nesta semana, o filme arrecade cerca de U$350 milhões de dólares. Enfim, eles sabem o que estão fazendo. Talvez venham mais histórias por aí.
Um filme bonito para se ver, mas extenuante de se assistir.
Avaliação: Ruim
Artigo publicado originalmente em www.capitaldaarte.com